Nota de Pesar – Ricardo Chaves (Kadão) – 1949 – 2025
O Fotoclube Porto-alegrense manifesta seu profundo pesar pelo falecimento do fotógrafo Ricardo Chaves — o Kadão — ocorrido nesta sexta-feira, 4 de abril, aos 73 anos, em Porto Alegre.
Kadão foi um daqueles raros nomes que marcaram a fotografia com sensibilidade, profundidade e humanidade. Conhecido por sua longa trajetória na imprensa brasileira — com passagens por veículos como Jornal do Brasil, O Estado de São Paulo, Veja, IstoÉ e mais de 30 anos em Zero Hora — ele foi muito mais do que um repórter fotográfico. Foi memória viva do Rio Grande do Sul, contador de histórias em imagens e palavras, e editor por tantos anos do querido Almanaque Gaúcho.
Mas o que torna esta nota tão pessoal é que, embora Kadão não fosse oficialmente um fotoclubista, muitos de nós tivemos o privilégio de encontrá-lo, conversar com ele e sermos tocados pela sua presença — sempre afetuosa, discreta, atenta.
Em 2023, no aniversário do nosso querido colega Carlinhos Rodrigues, na Confeitaria Maomé, Kadão esteve entre nós. Foi um encontro simples e cheio de sentido. Muitos fotoclubistas ali presentes conheceram Kadão naquele dia, trocaram palavras com ele, ouviram suas histórias — e saíram marcados. Porque era impossível não ser. Kadão tinha a rara capacidade de dizer muito, mesmo em silêncio. Um mestre silencioso, como definiu com sensibilidade o fotoclubista Gerson Turelly.

Nas palavras de Carlinhos, que trabalhou com ele em Zero Hora e o recebia como amigo:
Esse era o Kadão: um cara generoso, amigo fiel e um mestre como repórter fotográfico. Será inesquecível.
Rogério Soares, também amigo e admirador, lembrou com carinho:
Em 2018, Kadão, em sua coluna ‘Almanaque’, referiu a minha exposição ‘Dossiê’ – 30 anos de Fotografia. Eterna lembrança.


Já o fotoclubista Jorge Leão, relembrando a força de seu legado, destacou a obra A força do tempo – Histórias de um repórter fotográfico brasileiro, dizendo:
“Esse livro é só um terço do que ele foi como repórter fotográfico… e um grande ser humano.”


Eloi de Farias compartilhou a vivência de ter trabalhado lado a lado com Kadão:
“Produzimos juntos o livro Cenas da Vida Gaúcha, para as publicações de ZH. Kadão passou 20 dias dentro do meu estúdio, acompanhando cada detalhe da edição, com supervisão de F. Bueno. Uma das fotos que abre o livro é do Carlinhos Rodrigues.”
Anelise Ferreira trouxe à memória a participação de Kadão no Festival do Fotoclube, ao lado de Fernando Gomes, em uma mesa coordenada por Carlinhos Rodrigues — momento precioso e que pode ser revisto em nosso canal no YouTube: 🔗 Assista aqui
Para nós, que o conhecemos em diferentes momentos — nas redações, nos encontros, nos aniversários e, principalmente, nas imagens — Kadão deixa um legado de verdade, de respeito à história e de olhar sensível sobre o mundo.
Ele nos ensinou, com o tempo e a prática, que a fotografia pode ser memória viva, pode ser ternura, pode ser permanência.
Nossa solidariedade à família, aos amigos e a todos que foram tocados por sua luz serena e firme.
Com respeito e gratidão,
Fotoclube Porto-alegrense