Retratistas Retratados: um sábado de aprendizado, experimentação e convivência na CCMQ
Por Viviane Monteavaro, maio/2026.
No último sábado, 30 de maio de 2026, um grupo de fotoclubistas do Fotoclube Porto-alegrense viveu uma experiência especial de imersão na fotografia analógica na Casa de Cultura Mario Quintana (CCMQ). O encontro, realizado no Laboratório Fotográfico Vania Toledo, reuniu associados interessados em conhecer, praticar e refletir sobre os processos da fotografia de grande formato, em uma atividade que combinou técnica, história, experimentação e convivência.
A iniciativa foi articulada pelo colega fotoclubista Wanderlei Oliveira, que mobilizou a atividade junto aos fotógrafos e educadores Sérgio Sakakibara (Japa), Kim Viana e Amilcar Pinto. O convite foi prontamente aceito pelos três, que generosamente compartilharam conhecimentos, experiências e tempo com o grupo, acompanhando as atividades das 10h às 15h.



Aprendendo a desacelerar para fotografar
A proposta da atividade dialoga diretamente com uma das reflexões centrais apresentadas por Sérgio Sakakibara em seu recente conteúdo sobre fotografia de grande formato (Youtube): em um mundo marcado pela velocidade, pela abundância de imagens e pelos automatismos tecnológicos, o grande formato nos convida a desacelerar, observar e planejar antes do clique.
Utilizando câmeras de fole no formato 4×5 polegadas e filmes de raio-X, os participantes puderam acompanhar todas as etapas do processo fotográfico. Diferentemente da fotografia digital, cada imagem exige preparação cuidadosa, medição de luz, ajustes precisos e atenção a uma sequência de procedimentos que demanda concentração e presença.
O título da atividade — Retratistas Retratados — revelou-se especialmente apropriado. Todos tiveram a oportunidade de estar dos dois lados da câmera: fotografando e sendo fotografados. Mais do que aprender aspectos técnicos, o grupo experimentou também a delicada relação entre fotógrafo e retratado, exercitando escuta, observação e confiança.







Do clique à revelação
Um dos momentos enriquecedores do encontro foi a oportunidade de acompanhar o processo de revelação no laboratório da CCMQ. Ver a imagem surgir gradualmente no material fotossensível é uma experiência que conecta os fotógrafos à materialidade da fotografia e aos fundamentos do fazer fotográfico.
Essa vivência reforçou uma das ideias defendidas por Sakakibara: o valor dos processos analógicos não está na nostalgia, mas na possibilidade de ampliar a compreensão sobre a imagem, a luz e os próprios mecanismos da fotografia contemporânea. A prática analógica e digital não são opostas, mas complementares, permitindo uma abordagem híbrida, consciente e criativa.




Uma construção coletiva
Estiveram presentes e participaram ativamente desta experiência os colegas:
André Schuett, Andréia Kris, Anelise Ferreira, Cynthia Recuero, Isaac Adônis, Mendes Filho, Marco Faria, Nina Pulita, Silvia Pozza, Ângela Santos, Viviane Monteavaro e Wanderlei Oliveira.
Ao longo do dia, os participantes trocaram conhecimentos, realizaram retratos, acompanharam demonstrações técnicas, fizeram ajustes nas câmeras e compartilharam descobertas. Mais uma vez, o espírito colaborativo que caracteriza o movimento fotoclubista esteve presente em cada etapa da atividade.


Gratidão aos mestres e à CCMQ
O Fotoclube Porto-alegrense registra um agradecimento especial a Sérgio Sakakibara, fotógrafo, professor e pesquisador que há décadas se dedica à formação de novos fotógrafos e à preservação dos processos fotográficos; a Kim Viana, pela disponibilidade, conhecimento técnico e entusiasmo compartilhados durante toda a atividade; e a Amilcar Pinto, fotógrafo com formação em Artes Plásticas e responsável pelo laboratório fotográfico Vania Toledo, no 3° andar da CCMQ, que gentilmente abriu as portas do espaço e proporcionou aos participantes a experiência de acompanhar a revelação das imagens.
Nosso reconhecimento também à Casa de Cultura Mario Quintana, que mantém vivo um importante espaço de formação, experimentação e preservação da fotografia analógica em Porto Alegre.
O papel dos fotoclubes
Ao final da atividade, ficou evidente algo que acompanha a história dos fotoclubes desde suas origens: sua capacidade de reunir pessoas em torno da aprendizagem, da experimentação, da pesquisa e da convivência. Como destacou Sakakibara em sua reflexão sobre o grande formato, os fotoclubes continuam sendo espaços fundamentais para a troca de conhecimento, a formação de repertório e a construção coletiva da cultura fotográfica.
Os muitos retratos e registros produzidos ao longo do encontro certamente permanecerão como memória visual desta experiência. Mas talvez o principal resultado tenha sido outro: a oportunidade de desacelerar, aprender juntos e renovar o encantamento pelo ato de fotografar.
Quer saber mais sobre o tema?
A fotoclubista Viviane Monteavaro preparou um caderno de estudos no NotebookLM, baseado no conteúdo apresentado por Sérgio Sakakibara (Japa). A ferramenta permite consultar a transcrição, acessar resumos e fazer perguntas sobre os assuntos abordados na aula.
Caderno de estudos: NotebookLM – Fotografia de Grande Formato
Vale lembrar que o caderno é um material complementar. Para aproveitar toda a riqueza das demonstrações, exemplos e reflexões apresentadas pelo professor, recomendamos assistir ao conteúdo original:
Vídeo completo: Fotografia de Grande Formato com Sérgio Sakakibara
Assim, o estudo pode continuar mesmo depois do encontro, ampliando o aprendizado e a inspiração proporcionados por essa experiência coletiva.
Artigo sobre a atividade na página da Foto.Art.
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