Fernando Gomes: Fotojornalismo no sangue e a lente da História
Organizado por Viviane Monteavaro, revisado por Rogério Soares, Setembro 2025
A trajetória de Fernando Gomes é central no fotojornalismo brasileiro. Com olhar atento, coragem e sensibilidade, sua obra marcou momentos históricos no esporte, na política e no cotidiano, conquistando reconhecimento nacional e internacional.
Fotojornalismo: A Contribuição de Rogério Soares
No 3º grupo temático do ano, realizado em 25 de agosto de 2025, o GEF recebeu a contribuição generosa do fotoclubista Rogério Soares, que conduziu os associados por uma narrativa viva sobre a carreira de Fernando Gomes.

Entre histórias de bastidores, conquistas internacionais e os desafios técnicos da fotografia analógica, a apresentação trouxe à tona não apenas a dimensão profissional de Gomes, mas também a paixão e a entrega necessárias ao ofício.
Mas por que falar de Fernando Gomes? A escolha partiu do colega Rogério Soares, que voluntariamente compartilhou conosco sua pesquisa e vivências pessoais de contato com este grande nome da fotografia. Ao apresentar Gomes ao Grupo de Estudos do FCPOA, Rogério nos lembrou qual é o papel essencial do GEF: ampliar repertórios, aproximar referências e inspirar novos olhares.
“O que me levou a falar de Fernando Gomes foi o fato de acompanhar sua trajetória no fotojornalismo nas quatro últimas décadas. Sua extrema capacidade em entender visualmente o que passa diante de suas lentes e conseguir transformar em belas e eloquentes imagens.” — Rogério Soares (set 2025)
A Jornada em Dois Encontros
A atividade sobre Fernando Gomes se desdobrou em dois encontros. No primeiro, os fotoclubistas foram apresentados ao mestre, conheceram um pouco de sua história e as características marcantes de sua fotografia.
O encontro culminou em um desafio instigante: “Capturar histórias simples através de fotografias”. A proposta para o segundo encontro foi justamente analisar os registros dos colegas e conversar a partir das observações de Rogério Soares e dos participantes.
Fernando Gomes: A Trajetória, o Processo Criativo e o Instante Decisivo
A história de Fernando Gomes confunde-se com a própria evolução do fotojornalismo no Brasil. Rogério Soares, fotoclubista que o conheceu de perto e acompanhou seu trabalho, trouxe ao Grupo de Estudos do FCPOA não apenas fatos biográficos, mas percepções de quem vivenciou a rotina de redações e o impacto de suas imagens.
Gomes iniciou sua carreira ainda no tempo da fotografia analógica, transitando da publicidade para o jornalismo, até consolidar-se na Zero Hora a partir de 1979. Antes disso, passou pela Coojornal, onde desenvolveu habilidades de laboratório, e pela publicidade, onde aprendeu a lidar com diferentes materiais fotográficos. Sua entrada definitiva no jornalismo marcou o início de uma trajetória premiada e de forte impacto visual.
Rogério destacou algumas características centrais do seu processo criativo:
- A Proximidade com a Ação: A capacidade de estar próximo, enfrentando riscos para capturar a cena no auge da intensidade.
- O Domínio Técnico Analógico: O conhecimento profundo de um tempo em que era preciso trocar filmes no meio da cobertura e sentir o limite de cada rolo.
- Atenção ao Instante Decisivo: Transformar o improvável em imagem histórica.
Entre seus trabalhos mais emblemáticos estão o icônico registro do cachorro mordendo um brigadiano, a foto do fusca pendurado em uma ponte após enchente no Rio Toropi e diversos registros de protestos e cenas de rua que revelam tanto a dureza quanto a humanidade do cotidiano.
Sua trajetória incluiu também passagens pelo jornal O Globo (1984–1987), com coberturas de Fórmula 1, Copas do Mundo e eventos políticos. De volta à Zero Hora em 1987, permaneceu até 2020, construindo um acervo de milhares de imagens que integram a memória coletiva do Rio Grande do Sul e do Brasil.
Além da técnica, Gomes sempre ressaltou a importância da luz como elemento narrativo. “A luz é quem dá a plasticidade à cena”, afirmava ele, reafirmando que a fotografia precisa unir estética e informação.
Mesmo na era digital, Gomes manteve sua visão crítica: se por um lado a tecnologia trouxe velocidade e alcance, por outro reduziu a observação atenta e a paciência do fotógrafo. Para ele, o excesso de cliques enfraquece o olhar. Por isso, defendia o compromisso ético e a autenticidade da fotografia jornalística, rejeitando o uso de inteligência artificial para manipular imagens: “No fotojornalismo ela não pode entrar”.

O legado de Gomes é o de um fotógrafo que soube traduzir em imagens tanto a força de um protesto quanto a emoção de um gol, legando ao país uma obra marcada pela coragem, disciplina e sensibilidade.
8 Pilares da Fotografia de Fernando Gomes
Para facilitar a compreensão da sua obra, Rogério Soares delineou as características centrais do trabalho de Fernando Gomes:
- Olhar Atento ao Instante Decisivo: Capta momentos inesperados e singulares, trabalhando com intuição e rapidez.
- Proximidade com a Ação: Busca estar fisicamente perto dos acontecimentos, posicionando-se no lugar certo para registrar o impacto da cena.
- Compromisso com a Autenticidade: Defende a fotografia como documento fiel da realidade, excluindo a manipulação artificial ou o uso de IA no fotojornalismo.
- Domínio Técnico da Transição: Viveu intensamente o período do filme (controle de exposição, troca P&B/cor) e adaptou-se ao digital, criticando a perda da observação.
- Narrativa de Impacto Social: Suas imagens são carregadas de informação, contexto e significado social, documentando esporte, cotidiano e política.
- Plasticidade da Luz e da Cena: Trabalha a relação entre luz e informação, afirmando que “a luz é quem dá a plasticidade à cena”.
- Capacidade de Síntese Visual: Constrói imagens que contam a história de forma direta, equilibrando composição, hierarquia do olhar e contexto.
- Resistência e Dedicação Profissional: Cobriu eventos sob intensa pressão de tempo e logística, demonstrando disciplina e paixão pelo ofício.
O Segundo Encontro: Análise Coletiva e Inspiração
No dia 29 de setembro de 2025, o grupo voltou a se reunir para o segundo momento dedicado a Fernando Gomes. Desta vez, a ênfase esteve na apresentação e discussão de fotografias jornalísticas trazidas pelos próprios associados, em um rico diálogo com os temas levantados por Rogério.
A conversa foi aberta e acolhedora, com participações de José, Marlene, Álvaro, Victor, Denise, Alexandre, Carlinhos, Eloi, Neli, Nina, William e outros colegas. A cada foto exibida, emergiram análises técnicas, comentários sobre composição e reflexões sobre o papel e a ética do fotógrafo diante de situações de conflito, tragédia ou celebração.
Destaques dos Trabalhos Apresentados:
- Álvaro apresentou uma imagem de Mohamed Ali saindo de uma livraria, elogiada pela capacidade de capturar um instante único com proximidade e sensibilidade.
- Anelise trouxe uma foto de Lula em meio a uma multidão, que despertou debates sobre informação, impacto e exuberância visual.
- Carlinhos Rodrigues compartilhou registros de protestos, incluindo uma imagem histórica de 1989 nas Lojas Americanas, que permitiu refletir sobre a importância da proximidade física e do risco na fotografia jornalística.
- Eloi mostrou a dramática cena de um ônibus em chamas no centro da cidade, valorizada pela rapidez do olhar diante do perigo iminente.
- Neli apresentou fotos de enchentes, destacando a relação afetiva das pessoas com seus animais de estimação em meio às perdas materiais.
- Nina, José, Alexandre, Victor e William também compartilharam trabalhos que geraram ricas trocas sobre técnica, contexto e ética.
Ao final, ficou clara a força do exercício coletivo: ver o fotojornalismo pelo olhar de diferentes colegas ampliou a compreensão sobre o tema, aproximou experiências pessoais e reforçou a importância da fotografia como documento social e humano.
Rogério Soares: O Olhar que Compartilha e Inspira
O Grupo de Estudos não se constrói sozinho. Entre os que o fortalecem está Rogério Soares, um fotoclubista cuja trajetória atravessa décadas de compromisso com o fotojornalismo e a formação de novos olhares.
Graduado em Jornalismo e Mestre em Semiótica, Rogério atuou como repórter fotográfico em veículos de destaque como Diário Catarinense, Zero Hora e Correio do Povo, registrando acontecimentos marcantes do cotidiano do Rio Grande do Sul e do Brasil. Paralelamente, construiu uma sólida carreira acadêmica como professor, lecionando disciplinas de Fotografia, Fotojornalismo e Semiótica ao longo de três décadas em instituições como ESPM, UCS, Unisinos, Univali, Uniritter e Senac. Em 2019, celebrou 30 anos de carreira com o projeto FotoDoc, reafirmando sua persistência e paixão pela captura de imagens carregadas de significado.
No GEF, Rogério soma essa bagagem profissional e acadêmica para conectar associados a referências importantes. Ao propor a apresentação de Fernando Gomes, reafirmou sua convicção de que a fotografia se aprofunda quando é compartilhada, e que revisitar mestres do passado contribui para a evolução do olhar coletivo.
O Papel do GEF no FCPOA
O Grupo de Estudos do Fotoclube Porto-alegrense (GEF) é uma atividade coordenada e realizada de forma voluntária por fotoclubistas, em benefício de todos os associados. Assim como outras iniciativas do FCPOA, o GEF promove aprendizado coletivo, troca de experiências e o fortalecimento da comunidade fotográfica, sempre com o espírito colaborativo que caracteriza o clube.
Comissão de Organização do GEF 2025: Ayres Pottoff, Fernanda Virmond, José Roque Guimarães, William Clavijo
Saiba mais sobre o GEF aqui.
Sobre o Fotoclube Porto-Alegrense (FCPOA)
Fundado em 2018, o Fotoclube Porto-Alegrense é um espaço dedicado aos amantes da fotografia, reunindo mentes criativas e apaixonadas pela arte visual. Com uma programação diversificada — que inclui Saídas Fotográficas, Concursos, Exposições, Festival de Fotografia e o GEF — o clube oferece um ambiente acolhedor para aprendizado e crescimento.
Convidamos você a conhecer mais sobre nossas atividades em nosso site e a se juntar a nós nessa jornada fotográfica. Afinal, na lente da câmera encontramos não apenas imagens, mas histórias, emoções e um mundo de possibilidades.
💬 E você?
Já conhecia a obra de Fernando Gomes? Tem memórias ou referências desse fotógrafo para compartilhar? Sua visão enriquece este debate — deixe seu comentário e ajude a ampliar a conversa.
Fontes: Apresentação da pesquisa de Rogério Soares, transcrição dos dois encontros pelo Zoom.
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